O Eliseu Frechou possui um blog com infos e notícias do mundinho da escalada, recentemente ele fez um rápido artigo, que considerando as características do GEEU, acho que é super pertinente termos uma "copia' aqui. O artigo original está em :

http://espnbrasil.terra.com.br/eliseufrechou/post/78691_FITAS+DE+ESCALADA+E+SUA+RESISTENCIA+COM+NOS

Leiam o artigo até o fim...


Quando fechamos um anel ou cordelete com nó, temos que levar em conta que os nós, ao contrário das costuras, reduzem em muito a resistência das cordas, fitas e cordeletes. Existem nós mais indicados para cada situação, mas o certo é que o nó é sempre motivo de diminuição de resistência.

Nesse post vou falar um pouco sobre fitas, e deixar as cordas para outra ocasião.

Antigamente, todas as fitas eram feitas de nylon, portanto desde as mais fitas, (as super-tapes) até as tubulares de 25mm aceitavam nós. Hoje, existem diversas novas fibras muito mais resistentes do que o nylon, mas que não aceitam nós, devido principalmente ao fato de serem extremamente lisas. Fitas de spetra, dynnema, titan... Só são vendidas em anéis já fechados por este motivo. Estas fitas são mais leves, finas, acumulam menos água e são muito mais resistentes que as fitas de nylon.

Então porque não usar apenas essas fitas? Porque existem situações em que você precisará abrir o anel e – por exemplo – laçar uma árvore para montar uma parada, ou chapeleta para montar um abandono de rapel. Então é sempre bom levar consigo uma ou duas fitas de nylon para esses casos.

Voltando ao tema do post, o nó aconselhado para fechar anéis de fita é o próprio nó de fita, chamado nos EUA de water knot.

Conforme damos nós, ou sobrepomos o anel, sua resistência varia. Acompanhe abaixo:

Fita sem nó: 100% de resistência. Fita com nó: 50% da resistência. Fita costurada: 100% da resistênc

 

Fita sem nó: 100% de resistência.
Fita com nó: 50% da resistência.
Fita costurada: 100% da resistência.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou

Fita com nó, mas duplicada em anel: 100% da resistência.
Fita com nó, mas duplicada em anel: 100% da resistência.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou

Fita com nó, mas duplicada 2 vezes: 250% da resistência!
Fita com nó, mas duplicada 2 vezes: 250% da resistência!
Crédito da imagem: Eliseu Frechou




É isso aí pessoal. Boas escaladas à todos.

Houveram alguns comentários, entre eles o meu  :

Olá Eliseu, quando fui "copiar" o seu post para o site do GEEU reparei nos valores apresentados e gostaria de fazer um adendo. Existem várias fontes, todas muitos próximas entre si, com respeito aos valores de perda da resistência dos materiais (fitas e cordas) devidas aos nós utilizados. O livro do Máximo Múrcia, da Ediciones Desnivel, chamado de "Prevención, Seguridad Y Autorrscate" citá lá pela página 126 que o "nó de fita" retira cerca de 28% da resistência, ou seja, uma fita com resistência nominal de 30KN aguenta cerca de 21KN quando fechada em anel usando um nó de fita... Claro, outras referências eventualmente podem fornecer valores distintos (pode ter sido isso que aconteceu com você : utilizar outra referências). De qualquer modo, na segunda foto, a fita não possuiria 100% de resitência, pois há a presença do nó de fita... a resistência seria algo próximo de 72% da resistência total do material, o que é mais do que o suficiente para os nossos propósitos. Abraços !

E então surgiu a parte II da coisa :

http://espnbrasil.terra.com.br/eliseufrechou/post/81481_FITAS+DE+ESCALADA+E+SUA+RESISTENCIA+COM+NOS+PARTE+II

Após a publicação dos post sobre fitas enós na semana passada, o Davi Marski (http://www.marski.org)  e eu trocamos alguns e-mails para checar os dados lá contidos, que foram retirados do livro Manual de Escalada – 3ª. edição de Michael Hoffmann (edit. Desnível, Espanha). O Davi tinha dúvidas sobre se quando uma fita com nó é usada em loop, ela realmente duplica sua carga de ruptura. De acordo com os cálculos dele e do Maurício Clauzet (http://www.mauricioclauzet.pro.br), também engenheiro, não. Bem, os testes ainda serão feitos, e o resultado, assim que o Davi tiver, e se ele permitir disponibilizarei aqui para vocês.
Enfim, abaixo está mais um texto complementar, escrito pelo próprio Davi, que é Físico de formação, a respeito do tema.

Quanto seu nó diminui a resistência da sua corda? Vitor Frechou se encordando para fazer a Normal da

Quanto seu nó diminui a resistência da sua corda? Vitor Frechou se encordando para fazer a Normal da Pedra do Baú.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou


Como todos sabem, ao darmos um nó em uma fita ou corda de escalada, há uma diminuição na resistência do material (da fita ou da corda), isso ocorre pois a força de um impacto não é mais distribuída de forma homogênea pelo material e os esforços ou aumento nas forças acontecem justamente onde está o nó. O nó é o ponto mais frágil.
Essa diminuição na resistência do material pode ter impactos na escolha do nó a ser utilizado, assim é bom sabermos o que acontece quando damos um nó !
Uma das grandes referências literárias mundiais para a escalada é o livro livro The Freedom of The Hills, em sua 7a. edição, traz na página 141 uma rápida tabela com valores aproximados :

  • Nenhum nó - 100% da resistência original do material
  • Pescador duplo - 15 a 30%
  • Pescador simples, Fiel, Nó direito - 15 a 20%
  • Nó de fita - 20 a 30%
  • Oito - 20 a 25%
  • Lais de guia - 25 a 30%


Então, sempre que damos um nó em uma fita ou corda, esta parte se torna o ponto mais frágil.
No exemplo abaixo, a fita teve a sua resistência diminuída devido ao nó utilizado... consultando a tabela, o nó de fita diminui em 30% a resistência do material, então , restam ainda 70% da resistência!
Entretanto, talvez você já tenha parado para se perguntar sobre qual seria a resistência nominal (ou total, sem o nó) de uma fita comprada por “metro”.
Muitos fabricantes resolveram este problema colocando linhas paralelas no corpo da fita, que indicam de forma clara e simples a resistência do material, assim, veja a imagem a seguir:


Fitas e sua resistência

Fitas e sua resistência
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
(veja a observação no final deste texto !!!)



A solução que o mercado encontrou foi a de colocar linhas paralelas no corpo da fita, sendo que cada linha indica a resistência de 10KN.
A fita que possui 1 linha apenas,aguenta 10KN de resistência. A fita com duas linhas aguenta 20KN. E a de 30Kn possui 3 linhas. Assim, quando fechamos uma fita “em anel” usando o nó de fita,

 

  • a fita de 10KN - 28% = 7,2KN bem.. melhor não uma fita dessas para escalada, não é ?
  • a fita de 20KN - 28% = 14,4KN, e
  • a fita de 30KN - 28% = 21,6KN de resistência,


Ainda com respeito a diminuição da resistência devido ao de nós, uma outra literatura, o livro do Máximo Múrcia, da Editora Desnivel, chamado “Prevención, Seguridad Y Autorrescate” , apresenta valores mais precisos para esta perda de resistência :
O valor apresentado para a diminuição da resistência devido ao uso do nó de fita é de 28% .
Já a união de duas cordas utilizando o nó oito apresenta um diminuição de 45% na resistência.
Menor do que a perda de 51% na resistência devido ao uso do nó de pescador simples.
Além da segurança do nó em si, a união de duas cordas usando o pescador duplo diminui a resistência em apenas 26% .
O uso do nó boca-de-lobo diminui a resistência do material em 55% E o nó volta-de-fiel reduz em 40% a resistência:
Por último, o nó utilizado para encordamento do escalador na cadeirinha, o nó oito, diminui a resistência em apenas 30% :
Para finalizar algum tempo atrás a entidade máxima da escalada, a UIAA, que tem em seu corpo de conselheiros o Sr. Pit Schubert, posicionou-se a respeito desta diminuição da resistência dos materiais devido ao uso de nós :
Uma tradução livre seria deste texto seria algo como :

"Existe uma vasta literatura sobre a redução da resistência devido ao uso de nós em cordas, mas infelizmente, a maior parte dela em alemão. De forma resumida todas as cordas possuem a sua resistência superdimensionada, isso significa que mesmo uma corda com 15 anos de idade não irá romper-se em um nó. Em 35 anos de pesquisas, nenhuma corda rompeu-se devido ao nó. As cordas podem romper-se devido ao atrito com um canto afiado de uma rocha ou pela ação de um ácido (ou qualquer outro material agressivo para a poliamida com as quais as cordas são feitas).
A resistência dos nós é mais importante para o seu uso em fitas e cordas auxiliares, mas na prática não temos relatos de acidentes devido ao nó (não ao menos quando utilizados os nós corretos).
O problema é que a resistência do nó depende muito do diâmetro, do número de fibras, na forma do trancamento (da corda ) e é claro, do tipo do nó utilizado. De forma genérica, valores aproximados para a resistência final do material em relação à sua resistência original devido ao nó utilizado podem ser vistos na tabela a seguir :
Resistência total devido ao nó utilizado
(O material sem o nó possui 100% da resistência)


Direito - 60 a 70% da resistência
Oito - 65 a 75%
Pescador simples - 55 a 65%
Pescador duplo - 70 a 75%
Nó de fita - 55 a 65%
Fiel - 55 a 60%


Para a prática, esqueça em quanto o nó reduz a resistência do material (se não for necessário saber). Para os guias de montanhas nós ensinamos: sempre assuma uma perda de resistência da ordem de 50% (para todos os nós). Você estará sempre do lado seguro.
Atenciosamente,
Pit Schubert
Presidente da Comissão de Segurança da UIAA"


O Efeito Polia
De forma genérica, penso em avaliar rapidamente o efeito polia de uma fita ou corda sobre um mosquetão.
O nome é “efeito polia” pois o resultado é aproximadamente o mesmo.
Iremos desconsiderar as força atenuantes devido ao alongamento da fita de escalada ou da corda em si, considerando os materiais inelásticos (estáticos).
Imagine a situação de um top rope, onde o escalador cai e a força é distribuída entre as partes envolvidas . A força exercida no mosquetão (ou na parada) é igual a soma das componentes vetoriais das demais forças... Isso é uma conseqüência da 1ª. lei de Newton.
Agora veja a imagem

exemplo 3

exemplo 3
Crédito da imagem: Eliseu Frechou

Suponha que minha mão é o escalador e o outro lado da fita é o ‘segundo’.
Se eu exercer uma força de (exemplo) 3KN e do outro lado, no lado do segundo, uma força de 1.98KN , a força total exercida no mosquetão será de 4.98KN...
Como não há nenhum nó na fita, a resistência da fita possui sua total capacidade (100%).
Agora a nova figura. Simplesmente acrescentamos um nó de fita no lado do “escalador”... como há o nó, a resistência da fita é diminuída em cerca de 30%, restando portando cerca de 70% da resistência total da fita.

exemplo 3
exemplo 3
Crédito da imagem: Eliseu Frechou


Talvez não seja óbvio, mas no exemplo dos escalador, o escalador que “cai” recebe uma força de 3KN e o escalador que faz a segurança, recebe uma força de 1.98KN... Mas todo o material que está entre o escalador que cai e o escalador que faz a segurança, recebe a força total de 4.98KN... ou seja, a corda (no nosso exemplo, a fita) , o mosquetão, a parada.
Basta substituir a minha mão (ou o escalador que guia) e o outro lado da fita (ou o escalador que dá a segurança) por uma fita tubular que temos exatamente a mesma situação, com a diferença que a força nesse caso , devido ao ângulo estreito, é distribuída 50% para um lado da fita, e 50% para o outro lado da fita. Mas a fita inteira recebe a força de total, os 100%. Havendo um nó, a resistência cai mesmo.

Os equipamentos e o seu corpo
Como curiosidade, a força máxima que nossos corpos agüentam é da ordem de 10 a 11KN por brevíssimos períodos de tempo. O pessoal descobriu isso quando fizeram testes com cadáveres e saltos de para-quédas... forças(de aceleração ou desaceleração) de maior magnitude (>10 ou 11 KN) simplesmente estouram os nossos órgãos internos, fraturam a nossa coluna, etc...
Então, porque os mosquetões tem que suportar pelo menos 22KN pelas normas da UIAA? Pois bem.. quanto menor o ângulo entre a corda (ou as fitas) com o ponto de apoio (o mosquetão), melhor as forças são distribuídas. Assim, em um cenário ideal (uma parada equalizada, por exemplo), as forças são distribuídas 50% para um lado, 50% para o outro...
No cenário do escalador caindo, se o segurança estiver “fazendo um ângulo pequeno” entre ele e o escalador que guia, as forças serão distribuídas da mesma forma: 50% para o escalador que cai, e 50% para o escalador que faz a segue. Mas atenção: na corda e no último mosquetão, a força será de 100% ! (a soma das demais forças).
Como o máximo que a gente suporta são forças da ordem de 11KN, então a corda e o mosquetão (ou a parada) tem que suportar o dobro disso, ou seja , os tais 22KN... rsrsrsrs
Já parou para ver o quanto o loop ou mesmo a cadeirinha suporta de forças? Dificilmente é superior a 15KN! Estou usando atualmente uma cadeirinha modelo bigwall da Conquista e o seu loop está certificado para 12KN. Não precisa ser mais.

 

 


Eu acabei fazendo um rápido artigo em meu site também :

Como todos sabem, ao darmos um nó em uma fita ou corda de escalada, há uma diminuição na resistência do material.

Essa diminuição na resistência do material pode ter impactos na escolha do nó a ser utilizado, assim é bom sabermos o que acontece quando damos um nó !

O Livro 'Freedom of The Hills", em sua 7a. Edição, traz na página 141  uma rápida tabela com valores aproximados :

Diminuição da Resistência
nenhum nó 100% da resistência original do material
Pescador Duplo 15 a 30%
Pescador Simples, Volta de Fiel,  Nó direito 15 a 20%
Nó de fita 20 a 30%
Oito 20 a 25%
Lais de Guia 25 a 30%

Confiram as imagens :

DSC00789

na página 141 :

DSC00790

 

Mas tem um outro livro, que eu recomendo fortemente, que é o livro do Máximo Múrcia, da Editora Desnivel, chamado "Prevención, Seguridad Y Autorrescate" , que mostra valores mais precisos para esta perda de resistência :

DSC00779

(clique nas miniaturas abaixo para ampliar e ver os detalhes) :

Por último... talvez você já tenha parado para se perguntar sobre qual seria a resistência nominal (ou total, sem o nó) de uma fita comprada por "metro".  Muitos fabricantes resolveram este problemas colocando linhas paralelas no corpo da fita, assim , veja a imagem a seguir :

DSC00791

A solução que o mercado encontrou foi a de colocar linhas paralelas no corpo da fita, sendo que cada linha indicaria a resistência de 10KN.

A fita azul, uma fita da Mammut, possui 3 linhas, logo 30KN de resistência...   a fita vermelha, não me lembro a marca, possui duas linhas, logo 20KN...  a laranja é uma fita de 10Kn (apenas uma linha) assim, ao darmos ou fecharmos um loop ou anel usando o nó de fita, a fita azul irá apresentar 30KN - 28% = 21,6KN de resistência, já a fita vermelha, 20KN - 28% = 14,4KN ....  e da fita laranja, bem... 10KN - 28% = ??? bem.. melhor não usar para escalada, não é ?

Algum tempo atrás um colega da HangOn colocou uma duvida para a UIAA acerca de quanto % o nó reduziria a resistência da corda... :  (desculpem por estar em inglês....)

I have a question about knots on ropes and slings. On the climbing literature, like Freedom of the Hills, you can find tables of strengh reduction on ropes due to knots tied on it. These references looks obsolete. I was researching if there is any study or article about it applied to the new materials we use today.

Hope you can help me.

Regards,

Marcio Haraguchi

São Paulo - Brazil

 

e a excelente resposta :

 

Short answer - there is a lot of literature about strength reduction by knots in ropes, bute sorry all in German language (some is edited by me) - a short summary: any rope is concerning rope strength overdimentioned (in German language: "überdimensioniert), this means that a rope (also a 15 year old rope) can not break in a knot (since 35 years I do research, no rope is broken in a knot) - ropes can only break when loaded over s sharp edge (rock

edge) and by the influence of acid (or any other polyamid-aggresive

matter) - knot strength is only interesting for tape and accessory cord - but in practice we have no accidents by breaking of knots (only by not correct knots) - the problem for dates concerning knots strength is, that the strength value depends on the diameter, respectively cross-section, on the couting of the fibres, on the twisting (BEAL, MAMMUT, EDEELRID) and the in any case on the type of knot - an approximate overview gives the following table:

 

knot strength in % of the strength without knot

 

overhand knot 60 to 70 %

figure of eight knot 65 to 75 %

fisherman's knot 55 to 65 %

double fisherman's knot 70 to 75 %

tape knot 55 to 65 %

clove hitch in a karabiner 55 to 60 %

 

For practice: forget the strength reduction of knots (it is not necessary to know) - for mountain guides we teach: calculate always only 50% (of all

knots) and you are always on the safe side.

Kind Regards

Pit Schubert

President of UIAA Safety Commission


 


E como resultado de tudo isso, acabou dando uma matéria que irá sair no Mountain Voices.

**************
Errata :
Preciso fazer uma mea-culpa ! O Raphael Wojcik alertou de um erro que obviamente eu não sabia ! A

s listras no corpo da fita comprada por "metro" são uma exigência da norma EN 565 / UIAA 103 que diz :

1 Linha = 5 kN
2 linhas = 10 kN
3 linhas = 15 kN
4 linhas = 20 kN

Ou seja, cada linha representa 5 kN, e não 10 kN como citado...

Confiram a norma em :  

http://www.hamradio.si/~s51kq/photo_album/Climbing_and_Mountaineering/pdf_climbing/UIAA/PictUIAA103-EN565Tape.pdf

Então fica aqui o "obrigado" ao Raphael pela correção e fica também dado o alerta para cuidarmos em não sobrecarregar eventuais fitas compradas por metro !

cada linha = 5KN (pela norma EN 565 / UIAA 103) !

Abs !

Davi Marski

 

Add comentario


Codigo de Seguranca
Atualizar