Em setembro de 2009, a estudante de Jornalismo da Facamp, Letícia Rovere, fez uma matéria envolvendo o GEEU :

http://multimidia2.wordpress.com/2009/09/25/campinas-um-importante-polo-do-alpinismo-nacional/#comment-15

Folha da Foca

Girando o foco da notícia

Campinas, um importante pólo do alpinismo nacional

Mesmo sem contar com formações geográficas elevadas, a cidade tem importância no esporte por seu núcleo de treinamento que já revelou atletas como Vítor Negrete e Davi Marski

por Letícia Rovere

colaborações: Paula Brazão e Évelyn Abreu

Campinas é caracterizada por ser um dos grandes pólos brasileiros de escalada. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) encontra-se o Grupo de Escalada Esportiva e Montanhismo da Unicamp (Geeu), criado na década de 1990, com alunos da universidade que se reuniam, informalmente, para caminhar, escalar e explorar cavernas. Do grupo acabariam surgindo grandes personalidades do montanhismo brasileiro, como Vitor Negreti e Davi Marski.

Em termos nacionais, o ano de 1912 é reconhecido entre os praticantes como uma referência do esporte, quando cinco jovens, após seis dias de escalada chegaram ao cume, ou seja, o ponto mais alto, do “Dedo de Deus”, na Serra dos Órgãos (RJ). Depois desse feito, muitos outros  jovens começaram a se interessar pela escalada e pelo montanhismo. Já a cidade brasileira que tem o maior potencial para o desenvolvimento do esporte é o Rio de Janeiro, que possui diversas vias de escalada em rocha dentro do núcleo urbano.

Em Campinas, os pontos principais para a prática da escalada esportiva são a pedreira desativada, no Jardim Garcia (vinte vias com diferentes graus de dificuldade) e o “Pico das Cabras”, no distrito de Joaquim Egídio. Na Unicamp há uma parede de escalada, dentro da Faculdade de Educação Física (FEF). Essa parede tem uma placa comemorativa com o nome de Vítor Negrete, falecido no dia 18 de maio de 2006, no Monte Everest (Himalaia). Uma homenagem da FEF e do Grupo de Escalada. Negrete foi o primeiro brasileiro a escalar o Everest sem uso de oxigênio suplementar. Era integrante do Geeu, além de ter se graduado e ter feito mestrado na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da universidade.

Parede de Escalada da FEF. Fonte: Arquivo pessoal de Davi Augusto Marski Filho

Parede de Escalada "Vitor Negrete" da FEF. Fonte: Arquivo pessoal de Davi Augusto Marski Filho

O Grupo de Escalada da Unicamp proporciona aos estudantes, professores e pessoas que não apresentam nenhum vínculo com a universidade um meio de entretenimento e integração entre os que se interessam pela modalidade. Para participar do grupo é necessário pagar um valor de R$30,00 por semestre, valor que serve para a manutenção dos equipamentos. Já as viagens para escalar são custeadas pelos próprios praticantes.

A escalada e o montanhismo não recebem muito investimento financeiro do Estado, pois a política do Ministério dos Esportes só estimula as atividades que se enquadrem nas diretrizes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), ou seja, esportes que são considerados olímpicos. Essas modalidades contam com o apoio da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (Cbme), que incentiva a participação de atletas brasileiros em campeonatos e eventos internacionais. No Brasil, com freqüência são elaborados “rankings” regionais, estaduais e nacionais.

Para Davi Augusto Marski Filho, 37 anos, físico e membro do Geeu, a escalada é essencialmente de natureza não competitiva. “A escalada é cooperativa ao invés de competitiva. O desafio existente é sempre individual”, e completa, “não existe a pressão de ‘ganhar’ de um concorrente além de você mesmo”.  A modalidade tem como característica a confiança entre os parceiros de escalada, pois é necessário uma dependência mútua para a segurança de ambos.

Davi Marski na Cordilheira Real, Bolívia. Fonte: arquivo pessoal

Davi Marski na Cordilheira Real, Bolívia. Fonte: arquivo pessoal

 

Para os praticantes o esporte contribui para o bem-estar do corpo e da mente. Segundo Marski, “a característica mais óbvia da escalada é que ela se dá no plano vertical. Passamos a vida nos deslocando em outro plano (o horizontal) e o ato de escalar, de subir uma parede, nos remete a uma infância, a um período no qual descobríamos e enfrentávamos o desconhecido: subindo uma árvore, um muro. As novas relações de corpo-espaço, ou seja, de controle e domínio corporal que a escalada demanda, proporcionam um acréscimo significativo ao praticante. Muito mais do que um esporte ou atividade física, escalar é uma filosofia de vida. É uma busca por estar em harmonia com a natureza, por respeitar as diferenças e limitações e também por tentar ser uma pessoa melhor”, conclui.