O GEEU (Grupo de Escalada Esportiva da Unicamp) é um grupo formado, na sua maioria, por alunos e ex-alunos da Unicamp e tem como objetivo a divulgação e a prática do esporte dentro e fora da universidade como um meio de entretenimento e integração entre pessoas interessadas, não só em escalada esportiva, mas também em outras modalidades de escalada.

Temos uma parede artificial de escalada instalada nas dependências da Faculdade de Educação Física(FEF) da Unicamp. Trata-se de uma área de 8m de altura por 10m de largura na parede externa da biblioteca da FEF.


Nessa superfície estão montadas três vias verticais e uma via negativa com um pequeno teto. A estrutura do negativo é composta de três maderites (1,60 x 2,20), começando a 3m do chão, fixados na parede através de uma estrutura metálica. Além do muro de escalada, temos também o material básico (sapatilha, cadeirinha, mosquetão, freio,..) disponível para os escaladores. Porém, recomendamos que cada um traga o seu próprio material.

O GEEU mantém em funcionamento o muro de escalada através de recursos próprios que são conseguidos mediantes o pagamento de uma semestralidade pelos membros do GEEU. Todo o dinheiro arrecadado é completamente revertido em favor dos membros sendo utilizado principalmente para a reposição do material de escalada que, com o tempo e o uso, sofre um desgaste natural nos obrigando à repô-los.

O muro tem estado aberto para escalada durante o período letivo nos horários determinados. Todos os alunos da Unicamp e qualquer pessoa que queira praticar, conhecer ou mesmo apenas olhar está convidada a vir nesses horários escalar e bater um papo conosco.

  • O GEEU, primeira entidade de escalada em ambiente universitário do Brasil (desde início de 1991), é um sucesso !
  • Com propósito popular e democrático, o GEEU é livre e sem fins lucrativos.
  • O GEEU é a opção mais barata de escalada em resina no Brasil !
  • Qualquer um pode se filiar ao grupo, não importando nacionalidade ou se há vínculo com a Unicamp.
  • Para quem está começando, o GEEU permite um "estágio probatório" inicial, para o futuro escalador decidir se quer ou não ingressar no grupo, gratuitamente.
  • O GEEU agrega patrimônio e riqueza cultural e esportiva à Unicamp, e à sociedade como um todo, por não exigir vínculos.
  • O GEEU não representa custo às verbas públicas. Apenas demanda o espaço físico e estrutural (parede) da FEF, com quem temos um excelente relacionamento.
  • O patrimônio do GEEU é protegido pelos estatutos - de livre acesso para leitura pelo próprio site da entidade - que estabelece que, em caso de dissolução, tudo pertencerá à FEF.

Por todos esses aspectos, silenciosamente, o GEEU se tornou um fato único e original.

 

 


Nossa história  - Contada por Flávio Bannwart


A primeira ancoragem do muro de escalda, a da direita, foi aberta pelo Tomás Gridi Pappi e pelo Rodrigo Raineri, em 1991.

Daí começaram a escalar os outros  integrantes do GAIA, um grupo de esportes de natureza que envolvia espeleologia e, posteriormente, escalada.

O GAIA promovia excursões de baixo custo e muito bem organizadas que foram um sucesso na Unicamp. Fui em duas delas, sendo uma para o Parque Itatiaia (1991) e uma para as cavernas do PETAR (em 1992).

Foi a partir dessa mesma excursão para as cavernas do PETAR que o Vitor, já envolvido com o GAIA, oficializou a sua integração ao grupo.

Pertencer ao GAIA implicava em pertencer ao GEEU que, na época, era uma entidade hipotética, pouco comentada.

O GEEU foi previsto como forma de atender ao caráter popular e democrático para utilização do muro, pois o GAIA era um grupo particular.

Não era cobrado nada para se escalar no muro, a não ser que se comprasse um par de kichutes para ficar à disposição do GAIA e de quem mais precisasse.

Isso era de fato muito barato e justo, já que o GAIA investira do próprio caixa para comprar todo o patrimônio na época (agarras, chumbadores, ferramentas, cordas, algumas cadeirinhas, mosquetões, freios 8).

O caixa do GAIA era alimentado por uma contribuição mensal entre eles somente, no valor equivalente a 8 dólares por mês, e também do que conseguiam arrecadar das excursões.

Com o tempo, o número de escaladores que não eram do GAIA começou a superar o número de integrantes desse grupo (uns 12, talvez). Então, o nome GEEU passou a ganhar corpo e se instituiu a contribuição por parte de todos, tal como é hoje.

Ficou acordado que os integrantes do GAIA não precisariam contribuir com dinheiro algum por um período de 3 anos, para que o GEEU pudesse herdar o seu próprio patrimônio (já mencionado acima).

Assim começou o GEEU na prática, lá pelos idos de 1993 e 1994.

As primeiras caixas com agarras, cordas, kichutes e etc, pertenciam ao GAIA e eram guardadas na República Império dos Sentidos, onde o Ibitinga morava, em Barão.

Isso fez parte da nossa herança também, claro.

A coisa não tinha muito controle, pois cada vez mais escaladores novos entravam na casa passando pelo quintal até o quartinho dos fundos para pegar o equipo. O portão ficava aberto.

O Rodrigo, com total razão, tomou a iniciativa de se buscar um outro espaço para guardar o equipo, para a segurança da república.

Até que essa idéia fosse concretizada passaram-se meses ...

O muro era aberto na hora do almoço apenas, do meio dia às 2 da tarde.

No final da tarde todo mundo queria voltar para casa depois da aula, geralmente de busão, a não ser que tivesse alguma festa na Unicamp.

Ocasionalmente abria à noite, até que a coisa foi mudando para o que é hoje, predominando à noite.

Entre 1994 e 1995 fizemos assembléias e fundamos o GEEU "formalmente", com a discussão detalhada dos seus Estatutos (que tiveram como base os Estatutos do CAEM - Centro Acadêmico da Engenharia Mecânica, e isso não foi por acaso).

Foi tudo muito tranqüilo e bem participativo. Ocupamos uma sala do Ciclo Básico, inclusive.

Na ocasião, decidimos não formalizar ou registrar legalmente, pelos motivos já discutidos na lista.

Se não me engano, o Guilherminho foi um dos 3 coordenadores gerais da primeira gestão do GEEU (1995/1996).

No fim dos anos 80 e início dos anos 90 os estudantes da Unicamp, e das outras universidades públicas em geral, eram bem mais politizados que agora.

Os CAs eram fortes e participavam duramente das discussões com o DCE e outras entidades internas e externas à Unicamp, como a UNE e CAs da Usp, Unesp, Pucc e Federais.

Daí ter sido tão fácil para que se arregimentasse os integrantes do GEEU para a sua fundação, nas reuniões (assembléias).

A galera participou em peso.

Foi em 1989 que conheci o Vitor, contemporâneo meu de RA 88. Fiz Eng. Mecânica e ele Eng. de Alimentos, calouro do meu irmão, que entrou em 87.

Em 89 eu estava participando da primeira gestão do CAEM (CA da Eng. Mecânica), quando fizemos a cisão com o CABS (Centro Acadêmico Bernardo Sayão, que passara a envolver apenas a Eng. Elétrica e a Eng. Química).

Nas reuniões do CRU (Conselho de Representantes de Unidades), realizadas no DCE, encontrávamos todos e haviam debates acirrados sobre diversos assuntos.

Quando conversava com o Vitor, ele dizia que apoiava a separação da Mecânica em relação ao CABS.

Encontrávamos muitas vezes nos debates a respeito da construção da Cantina da FEM/FEA, a Tropicaliente, pois envolvia os dois CAs: CAEM e CAFEA (Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia de Alimentos).

Como, nessa ocasião, o meu irmão André e eu estávamos nos respectivos CAs, o acordo foi facilitado.

O Vitor, apesar de estar mais envolvido com o DCE, também participou um pouco das discussões.

Em 1991 os CAs de todas as engenharias da Unicamp organizou e realizou o SNEE (Seminário Nacional dos Estudantes de Engenharia). Essa foi outra ocasião em que nos encontrávamos.

O Rodrigo não se envolveu com o movimento estudantil, que eu saiba.

Acredito que esse clima geral que rolava nas universidades favoreceu, e muito, o surgimento de entidades estudantis em geral, incluindo aí o GEEU.

Porém, o GEEU é mais amplo, pois é aberto a qualquer pessoa, inclusive estrangeiros.

Ele não representa estudantes exclusivamente, ainda que tenham sido a sua maioria constituinte desde a sua gênese.


Bom, perdão se escrevi demais ... Acabei me empolgando para relatar um pouco da nossa história.

Abraço,

Flávio de Campos Bannwart - "Bambam"  /   março de 2008.

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Em setembro de 2009 o Flávio Bannwart contou-nos mais uma história, desta vez surgiu a partir de um ensaio de tração simples que foi realizado com uns pedaços de corda e mosquetões do GEEU....  (ensaio disponível na seção de downloads aqui do site) : ...

Antigo mesmo : ), desde que o Muro de Escalada surgiu, em 1991. Emprestei a broca para os primeiros furos da primeira ancoragem, que é a da direita. O Tomás Papp e o Rodrigo Raineri montaram a 1ª ancoragem e as primeiras vias, onde testei kichutes emprestados enquanto os dois trabalhavam ... he he;

alguns meses depois eles montaram a 2ª ancoragem (a do meio); alguns anos depois alguém (o Nativo ?) montou a 3ª ancoragem, que o Sá reformou, lá pelos idos de 94 ou 95; a 4ª ancoragem é recente a montamos durante a última reforma do negativo, nele próprio (em fins de 2007). Obs.: faltou fazermos o back da 4ª ancoragem. Nessa época entre 91 e 94 palavra GEEU era muito pouco pronunciada; falava-se apenas MURO.

O GEEU era mais uma idealização teória que foi ganhando força à medida que mais gente que não pertencia ao GAIA foi visitando o muro e começando a escalar, desde que o interessado comprasse um par de kichutes para o GAIA (o que era justo, pois absolutamente todo o equipamento do muro era do GAIA, que o adquiriu com recursos próprios).

O GEEU tomou corpo enquanto instituição independente do GAIA por volta de 1994, quando herdou o seu patrimômio (todas as agarras, cordas, cadeirinhas e ferragens do muro) por meio de acordo no qual os integrantes do GAIA escalariam no GEEU sem pagar por 3 anos, e foi também quando houve a primeira fundação e a única aprovação dos estatutos, numa Assembléia realizada no Ciclo Básico (com sala cheia).

Optamos por não fazer o registro em cartório, pq era caro, burocrático e etc, e tínhamos uma despesa fixa anual de reforma do negativo, e tb pq a estrutura do negativo era muito ruim e não durava mais que um ano sem reforma nem a pau.

As corda tb duravam bem menos que agora. Naquele tempo (parece passagem bíblica ...) diversos escaladores não confiavam em somente 1 mosquetão na sua cadeirinha e instalavam 2 (dois) lado a lado, o que sempre combati e achei uma bobagem.

Insisti nos ensaios de tração para acabar com essa neura que existia, e que o fator limitante de segurança era a corda. Provado isso, após os ensaios, confirmou-se tb que as cordas ficavam muito sujas pq a muretinha que havia não fechava a região do muro nas laterais. Então o chão de cimento ficava sempre sujo de terra, pois as chuvas carregavam terra para o chão do muro a partir das laterais.

Além disso, o barro ficava acumulado junto ao muro, pois o chão não tinha nivelamento adequando para o escoamento de água. Por isso as cordas ficavam imundas rapidamente; e essa sugeira de terra entra na alma da corda, compromentendo-a rapidamente por causa da ação destrutivas dos grãos de areia antre as filhas de nylon. Isso onerava o GEEU, que tinha que comprar cordas com muita freqüência.

O resultado de 600 e poucos Kgf de resistência na posição 1/4 da corda foi um alerta. Quem poderia garantir que o patamar de resistência não baixasse ainda mais, para 200, ou 100 Kgf ? Uma carga dinâmica chega facilmente ao dobro do peso do escalador, em corda estática. Então, a partir desses resultados, fizemos o projeto da muretinha tal como ela é hoje.

A construção foi feita pela FEF, entre 95 e 96, não me lembro exatamente. A Diretoria da FEF teve extrema boa vontade em alocar parte de seus recursos para a mureta. Foi tranqüilo pq a FEF já vinha realizando outras obras. Sem essas condições favoráveis não teria rolado. Estámos lá para aproveitar a chance.

 

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