Repetição da via "Silvertape" (5o A2+ E2 45m) da pedreira do Jd.
Garcia
Em setembro de 2004, Rafael Silva, Thiago Fernandes e Juliano conquistaram uma via em artificial na Pedreira do Jardim Garcia, em virtude de uma grande quantidade de silvertape que eles colocaram em uma grande aresta acima de um teto durante a etapa da conquista, o nome da via acabou tornando-se simplesmente "Silvertape". É um A2+ E2 com cerca de 45m de extensão, dividido em 3 grandes partes, a primeira que pode ser feita em livre (5 grau) com proteção através de equipamento móvel, e as restantes são lances em artificial, com bastante uso de cliffs de buraco (talon), pitons (ou preferencialmente ballnutz) e alguns nut's e friends. Durante praticamente 2 anos as repetições desta via ficaram restritas ao grupinho Davi Marski, Thiago, Rafael e Juliano, e a uma repetição envolvendo o Flávio Bannwart e o Davi Marski.
Em agosto de 2006, foi feita a "primeira repetição" por alguém de "fora", ou seja, Felipe e Evandro Duarte tiveram o prazer de repetir os passos acima... Confira lendo o relato do Evandro a seguir :
Tudo bem?
Eu estou ótimo e com os ralados da mão doendo muito....mas com um sorriso de nuca-à-nuca...rsrs!...
Há algum tempo venho sentido a necessidade de passar por uma evolução na escalada, e acho que essa é uma necessidade de todo escalador, que cedo ou tarde o escalador vai se deparar com essa necessidade. Um necessidade de estar elevando os limites, buscando desafios maiores. E uma das formas de encontrar esse desafio maior, no esporte que eu amo, foi evoluir para um outro estilo de escalada, mais técnica, trabalhosa, exigente, concentrada, equilibrada e claro com riscos maiores.
Esse desafios só poderiam vir com a escalada artificial. Um estilo de escalada que eu já vinha estudando por um bom tempo e que tinha como objetivo inicial para desafios maiores. Por muito tempo venho estudando sobre esse tema e, aos poucos, treinando de grampo em grampo nos A0's da vida.
Até que ontem, 27/08/2006 depois de 5 horas de escalada, dei o primeiro passo a esse objetivo, nós conseguimos escalar a Silvertape, como o Felipe disse anteriormente. Minha primeira via em artificial, um A2 logo de cara. Para muitos dos escaladores essa escalada pode ser simples, sem muitos segredos e complexidade, mas pra mim que vinha sonhando com esse mundo do Artificial, foi o melhor momento de minha vida de escalador.
Não consigo descrever a sensação de ter chegado na segunda parada depois de alguns perrengues e 4 pitons no negativo, sem contar aquela primeira chapa que parecia estar tão longe e inalcançável (bem que podeia ter mais um buraco de cliff ali heim moçada!). Mas como disse antes é uma escalada complexa e técnica, onde o equilibrio emocional faz toda a diferença, depois de alguns minutos para compassar os batimentos cardiacos e a respiração (confesso que pensei em descer dali, só não desci porque seria mais dificil) ajeitei um equipo pra buscar aquela chapa distante e fui lá, consegui mandar, daí em diante foi só alegria!
Na 3ª enfiada, com o Felipe perrengando pra localizar os "camuflados" buracos de cliff, mando com quase uma maestria a enfiada, só não foi perfeito porque havia um furo que a galera escondeu só pra ver a gente perrengar na virada do 2º platô. Com uma pequena queda, quando o talon escapou de uma agarra ruim, ele passou pela esquerda em livre mesmo e chegou no próximo furo que estava longe, bem longe, num perrenguezinho até chegar na chapa (imagino que ele pensou assim "UFA!"). Daí só foi chegar até a parada numa sequência de dois buracos (com certeza outro"UFA!"...rs). Logo em seguida fui pra perrengar nos furos, pois não estava com a mesma confiança que o Felipe nos buracos, mas até a chapa foi tranquilo. Como também não encontrei o "dito cujo" do furo não tentei passar em livre e usei um batente à esquerda, posicionei errado o talon e não deu outra, cai e fui parar lá em baixo da chapa (a queda do Felipe foi mais "sussa"!). Mas não desisti do artifo, voltei lá no mesmo lugar achei uma posição melhor para o talon e subi nele, quando estava no perrengue encaminhando para o furo (bem longe!), dei de cara com o "dito cujo" do furo que não achamos inicialmente, estava no meio da virada do platô bem na direção da chapeleta, não deu outra, aí ficou fácil passar o lance dominando a costura. Coração no lugar, respiração normalizada, fui para a parada junto do Felipe que esboçava um sorriso de alivio. Daí só foi rapelar até a primeira parada recolher os equipos deixados e dopo o chão. Pronto, missão cumprida e um sorriso de quem tinha acabado de ter orgasmos multiplos.
E esse foi o primeiro passo para Artifos maiores, pois como eu já havia imaginado, eu ia gostar muito de escalar vias em artificial. Sem dúvida, nasceu um caso de amor mais intenso entre eu e o mundo das montanhas, uma caso que vai durar por muitos e muitos anos.
Quero agora mandar os outros artifos daqui da região e ainda voltar a
Silvertape e mandar num tempo menor com dois pitos, pois dada a pouca
experiência no artificial tive que usar os 4 pitons lá no negativo,
susseguem pessoal, ainda vou mandar aquele lance com 2 pitons e só não foi
mais rapido porque a primeira enfiada foi em artifical também, pois em livre
é bem tranquila. Mas foi bom, pratiquei usar os pítons. Bom, mas é claro que
só vou conseguir mandar essas vias com um parceiro, espero que o Felipe
esteja disposto, bem como o Andrigo e é claro o Coração....rs
Quero agradecer ao Thiago, Rafael e Davi, pelos equipos emprestados, pela força e a pilha que botaram pra escalarmos essa via. Agradecer também a paciência do Andrigo em me ajudar a treinar para escalar essa via e para outras que faremos, um parceiro "porreta" (o Bixo ralou literalmente pra isso!). E claro a compreensão da Andrea, pois ela sabe o que é a escalada pra mim, ou melhor pra nós dois.
Já vamos programar a próxima Felipe?
Abraços a todos e boas escaladas.




