Escalada da via "Evolução", por Luiz Felipe Mendes de Moura

Já fazia muito tempo que eu queria fazer a via Evolução (5o VIsup) no Pedrão, próximo à cidade de Pedralva. Trata-se de uma via longa, de aproximadamente 320 metros, com 11 enfiadas, com proteções fixas, mas espaçadas, ou seja, uma via no mais puro estilo tradicional. 

Pois bem, nestas férias eu fui passar uns dias lá no Abrigo do Pântano (Andradas) e conversando com o Henrique (um dos donos do abrigo) ele me disse que também queria escalar essa via. Combinamos então de sair um dia (16/01/06) bem cedo rumo a Pedralva para entrar na via o mais cedo possível. Acordamos as 3 hs da manhã, preparamos tudo, tomamos café e saímos as 4 hs.

Chegamos lá perto do Pedrão por volta de 6h30, deixamos o carro num sítio, nos informamos sobre a trilha e lá fomos nós. Até a metade do caminho fomos bem, quase sem errar, mas depois que a trilha entra no mato (bananal) acabamos nos perdendo, pois não sabíamos exatamente onde era a base da via.

Depois de muito procurar, sobe e desce, acabamos encontrando uma trilha que terminava na base da via.

Preparamos o equipamento e começamos a escalar por volta das 9 hs. Levamos uma pequena mochila de ataque com água, comida, lanterna, anoraque, celular e o croqui que havíamos encontrado na internet. Estávamos levando também uma segunda corda, para fazer rapel duplo na descida.

Eu comecei guiando uma enfiada fácil (III), mas com a primeira chapeleta lá longe (bom para aumentar a adrenalina). Tínhamos combinado de eu guiar a primeira metade (mais fácil) e ele guiar a segunda metade (mais difícil). Assim que o Henrique chegou na primeira parada ele já me avisou que precisaria descer para “passar um fax”. Tive que ficar esperando na parada, enquanto ele rapelava, ia até o “banheiro” e escalava tudo novamente. Depois dessa “pausa” pegamos o ritmo e eu fui mandando as outras duas enfiadas (IV e IVsup). Depois o Henrique tomou a frente e mandou mais uma enfiada (VIsup) até chegarmos no “forninho”.

O forninho é um grande buraco no meio da via, com um platô largo, com vegetação e com a rocha bem escura. Quando bate o sol aquele lugar esquenta e vira literalmente um forno. Foi lá que eu fiquei dando segurança para o Henrique guiar a quinta enfiada (VIsup). Logo depois da saída do forninho não dá mais para ver o guia, de modo que eu apenas dava corda quando sentia que ele estava avançando. Num determinado momento eu percebi que ele parou num lance difícil e ficou um bom tempo lá, até que eu ouvi “fica experto que eu vou fazer o lance”. A corda subiu um pouco e depois desceu. Depois eu ouvi “agora estou indo fazer o lance”.  Novamente a corda subiu e desceu. Isso se repetiu por várias vezes e me pareceu durar uma eternidade (eu devia estar “assando” no forninho!!), até que ele finalmente passou o lance, provavelmente segurando na costura, pisando no grampo, no verdadeiro estilo “véio” de escalar!!!

Ele continuou guiando a outra enfiada (VIsup), desta vez sem passar tanto “perrengue”. Como ele estava bem cansado, eu tomei a dianteira para guiar as duas próximas enfiadas (IVsup e V). Outro motivo para eu tomar a ponta é que não agüentava mais escalar de segundo, tendo que carregar a mochila e puxar a segunda corda pedra acima. Parecia que estava arrastando uma pessoa, tamanho era o arrasto da corda na pedra. Depois fomos alternando as duas últimas enfiadas (Vsup e III), até chegar na última parada, já no início da pequena trilha que leva ao cume. 

Foi uma sensação indescritível, chegar ao final daquela via, depois de 7 hs de escalada!! A primeira coisa que fizemos quando chegamos no cume foi ligar para o Rodrigo “Bitchas” Raineri, pois dois dias antes, quando comentamos lá no abrigo que iríamos fazer a Evolução, ele disse que “duvidava” que a gente conseguiria chegar no cume. Acho que aquela frase (brincadeira?) serviu de estímulo para nós dois, pois realmente várias vezes pensamos em desistir e “colocar para baixo”, mas sempre nos lembrávamos daquele papo e encontrávamos gás para “colocar para cima”.

Começamos a rapelar depois de um pequeno descanso, fotos do cume, etc. E foram mais duas horas para fazer os 11 rapéis. Depois tinha ainda a trilha de volta. Mas nada disso parecia importar, pois estávamos tão cansados que fazíamos tudo mecanicamente, sem pensar. Chegamos no carro quando já estava escurecendo, pegamos a estrada e ainda chegamos no bairro do Pântano a tempo de pegar o bar do “cumpadi” Dirceu aberto e tomar aquela gelada para comemorar!

Valeu Henrique!!

 

Comentarios  

 
0 #1 Leila 2010-07-01 15:51
Nossa, foi bom ter lido essa "história" de vocês. Um amigo me chamou pra fazer essa Evolução, mas eu não tinha idéia de como era. Confesso que agora fiquei mais na dúvida se to pronta ou não pra encarar essa... rs
Mas enfim, acho que vamos tentar... se conseguir, mando meus comentários aqui pra vcs!
Valeu!
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